Cálculo Diferencial

Aprenda cálculo diferencial do zero, mesmo que você ache que não leva jeito com matemática. Vamos tratar de gráficos, funções, variação, retas, limite, derivada e suas regras, otimização, várias variáveis, gradiente descendente e de como tudo isso aparece no software do dia a dia.

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Cálculo Diferencial

21h 11m de conteúdo

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Um livro sobre variação, curvas e derivadas, escrito para quem nunca programou e acha que não leva jeito com matemática.

Para quem é este livro

Se você abriu este material, é provável que uma destas frases já tenha passado pela sua cabeça:

"Eu nunca fui bom em matemática."

"Faz vinte anos que eu não vejo isso."

"Eu não levo jeito."

Este livro foi escrito exatamente para essa pessoa.

Não é preciso lembrar do ensino médio. Não é preciso saber o que é uma função. Não é preciso nunca ter escrito uma linha de código. Se você esqueceu o que faz um sinal negativo no meio de uma conta, tudo bem: o capítulo 2 existe para isso, e ele não tem pressa.

O único requisito é curiosidade e um pouco de paciência.

O que você vai conseguir fazer no final

Livro de matemática costuma prometer coisa vaga. Aqui a lista é concreta, e você pode cobrar.

Ao terminar, você vai saber ler um gráfico e dizer o que está acontecendo com ele, incluindo se uma coisa está crescendo cada vez mais rápido ou já perdendo força.

Vai saber calcular a taxa de variação de qualquer lista de medições, sejam vendas, temperatura, peso, usuários ou consumo.

Vai saber o que é uma derivada, para que ela serve, e vai conseguir explicar isso para outra pessoa sem escrever nada.

Vai saber encontrar o melhor valor possível para alguma coisa: o preço que rende mais, a quantidade que custa menos, o ajuste ideal de um parâmetro.

E vai ter escrito, com as próprias mãos, um pequeno programa que aprende sozinho, usando o mesmo mecanismo que treina os modelos de inteligência artificial de que todo mundo fala.

Tudo isso sem decorar uma única fórmula.

O que este livro não é

Vale ser honesto logo no começo.

Não é um livro de vestibular. Não tem demonstração formal, não tem lista com duzentos exercícios repetitivos e não tem aquele problema do trem que sai de uma cidade enquanto outro sai de outra.

Não é um livro que assume que você lembra do ensino médio.

E não vai te preparar para uma prova de cálculo de faculdade. Uma prova dessas cobra coisas que este livro não cobre, como definição formal de limite e demonstrações. Você vai chegar lá com muito mais chance de dar certo do que chegou da primeira vez, e vai precisar de material complementar.

A escolha, o livro inteiro, foi a mesma: preferir que você entenda cinco coisas a fundo do que reconheça cinquenta de passagem.

Como cada ideia é apresentada

Toda ideia deste livro segue o mesmo trajeto, sempre nesta ordem:

  1. Uma situação concreta, do dia a dia ou do software
  2. Um desenho, uma tabela ou um gráfico, sempre que a imagem ajuda, porque muita coisa em cálculo fica óbvia quando vira imagem
  3. Uma conta simples, com números que você consegue conferir na mão
  4. Um pequeno plano de contas, para você ver aquilo funcionando e mexer

A pergunta sempre vem antes da resposta. Nenhuma fórmula aparece sem que você já tenha sentido falta dela.

Sobre os exemplos: português estruturado

A partir do capítulo 4, o livro usa o computador para fazer as contas repetitivas. E aqui existe uma decisão importante, que vale explicar.

Nenhum exemplo deste livro está escrito em uma linguagem de programação real.

Nada de C#, Python, Java ou JavaScript. Todos os exemplos estão em português estruturado: as instruções escritas de forma direta, uma por linha, para uma pessoa ler. Em vez de um comando em inglês com ponto e vírgula no fim, aparece escreva.

O motivo é simples. Você ainda não escolheu uma linguagem, e cada uma delas traz regras de escrita que disputariam a sua atenção com a ideia que importa. Em português estruturado sobra só a ideia.

E tem um ganho extra: no dia em que você escolher uma linguagem, qualquer uma, tudo o que está aqui continua valendo. Muda a forma de escrever, não o raciocínio.

Você também não precisa instalar nada. O capítulo 4 mostra como executar esses planos à mão, linha por linha, ou em uma planilha.

Como percorrer o material

Leia na ordem. Os capítulos foram encadeados de propósito, e pular o começo é a forma mais confiável de se perder no meio. Os capítulos 2, 3 e 4 são a base de tudo, mesmo que o índice deles pareça simples demais.

Vá devagar. Este não é um livro para ler em um fim de semana. Um capítulo por sessão, com os exercícios feitos, já é um ritmo excelente.

Tenha papel e caneta do lado. Matemática não é um texto que a gente consome, é uma coisa que a gente faz. Ler uma conta e refazer uma conta são experiências diferentes, e só a segunda gruda.

Faça os exercícios. Cada aula de conteúdo é seguida de uma aula de exercícios no papel, com respostas comentadas. Quase todos os capítulos têm também uma prática no fim, muitas vezes com dados seus, e cada capítulo fecha com um quiz de dez perguntas. É ali que o conteúdo assenta.

E conte que vai travar. Isso é normal e não significa nada sobre a sua capacidade. O capítulo 1 traz um protocolo de oito passos para esses momentos, e ele funciona.

Uma última palavra antes de começar

Aquela frase do começo, sobre não levar jeito com matemática, quase nunca é verdade.

Na esmagadora maioria dos casos, o problema não foi você. Foi o jeito como o assunto te foi apresentado: uma lista de regras para decorar, com uma prova no fim do mês e nenhuma explicação de para que servia. Você recebeu a resposta antes de conhecer a pergunta.

Este livro faz o caminho contrário, e ele começa falando justamente disso.

Vamos lá.