Cálculo Diferencial
Aprenda cálculo diferencial do zero, mesmo que você ache que não leva jeito com matemática. Vamos tratar de gráficos, funções, variação, retas, limite, derivada e suas regras, otimização, várias variáveis, gradiente descendente e de como tudo isso aparece no software do dia a dia.
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Um livro sobre variação, curvas e derivadas, escrito para quem nunca programou e acha que não leva jeito com matemática.
Para quem é este livro
Se você abriu este material, é provável que uma destas frases já tenha passado pela sua cabeça:
"Eu nunca fui bom em matemática."
"Faz vinte anos que eu não vejo isso."
"Eu não levo jeito."
Este livro foi escrito exatamente para essa pessoa.
Não é preciso lembrar do ensino médio. Não é preciso saber o que é uma função. Não é preciso nunca ter escrito uma linha de código. Se você esqueceu o que faz um sinal negativo no meio de uma conta, tudo bem: o capítulo 2 existe para isso, e ele não tem pressa.
O único requisito é curiosidade e um pouco de paciência.
O que você vai conseguir fazer no final
Livro de matemática costuma prometer coisa vaga. Aqui a lista é concreta, e você pode cobrar.
Ao terminar, você vai saber ler um gráfico e dizer o que está acontecendo com ele, incluindo se uma coisa está crescendo cada vez mais rápido ou já perdendo força.
Vai saber calcular a taxa de variação de qualquer lista de medições, sejam vendas, temperatura, peso, usuários ou consumo.
Vai saber o que é uma derivada, para que ela serve, e vai conseguir explicar isso para outra pessoa sem escrever nada.
Vai saber encontrar o melhor valor possível para alguma coisa: o preço que rende mais, a quantidade que custa menos, o ajuste ideal de um parâmetro.
E vai ter escrito, com as próprias mãos, um pequeno programa que aprende sozinho, usando o mesmo mecanismo que treina os modelos de inteligência artificial de que todo mundo fala.
Tudo isso sem decorar uma única fórmula.
O que este livro não é
Vale ser honesto logo no começo.
Não é um livro de vestibular. Não tem demonstração formal, não tem lista com duzentos exercícios repetitivos e não tem aquele problema do trem que sai de uma cidade enquanto outro sai de outra.
Não é um livro que assume que você lembra do ensino médio.
E não vai te preparar para uma prova de cálculo de faculdade. Uma prova dessas cobra coisas que este livro não cobre, como definição formal de limite e demonstrações. Você vai chegar lá com muito mais chance de dar certo do que chegou da primeira vez, e vai precisar de material complementar.
A escolha, o livro inteiro, foi a mesma: preferir que você entenda cinco coisas a fundo do que reconheça cinquenta de passagem.
Como cada ideia é apresentada
Toda ideia deste livro segue o mesmo trajeto, sempre nesta ordem:
- Uma situação concreta, do dia a dia ou do software
- Um desenho, uma tabela ou um gráfico, sempre que a imagem ajuda, porque muita coisa em cálculo fica óbvia quando vira imagem
- Uma conta simples, com números que você consegue conferir na mão
- Um pequeno plano de contas, para você ver aquilo funcionando e mexer
A pergunta sempre vem antes da resposta. Nenhuma fórmula aparece sem que você já tenha sentido falta dela.
Sobre os exemplos: português estruturado
A partir do capítulo 4, o livro usa o computador para fazer as contas repetitivas. E aqui existe uma decisão importante, que vale explicar.
Nenhum exemplo deste livro está escrito em uma linguagem de programação real.
Nada de C#, Python, Java ou JavaScript. Todos os exemplos estão em português estruturado: as instruções escritas de forma direta, uma por linha, para uma pessoa ler. Em vez de um comando em inglês com ponto e vírgula no fim, aparece escreva.
O motivo é simples. Você ainda não escolheu uma linguagem, e cada uma delas traz regras de escrita que disputariam a sua atenção com a ideia que importa. Em português estruturado sobra só a ideia.
E tem um ganho extra: no dia em que você escolher uma linguagem, qualquer uma, tudo o que está aqui continua valendo. Muda a forma de escrever, não o raciocínio.
Você também não precisa instalar nada. O capítulo 4 mostra como executar esses planos à mão, linha por linha, ou em uma planilha.
Como percorrer o material
Leia na ordem. Os capítulos foram encadeados de propósito, e pular o começo é a forma mais confiável de se perder no meio. Os capítulos 2, 3 e 4 são a base de tudo, mesmo que o índice deles pareça simples demais.
Vá devagar. Este não é um livro para ler em um fim de semana. Um capítulo por sessão, com os exercícios feitos, já é um ritmo excelente.
Tenha papel e caneta do lado. Matemática não é um texto que a gente consome, é uma coisa que a gente faz. Ler uma conta e refazer uma conta são experiências diferentes, e só a segunda gruda.
Faça os exercícios. Cada aula de conteúdo é seguida de uma aula de exercícios no papel, com respostas comentadas. Quase todos os capítulos têm também uma prática no fim, muitas vezes com dados seus, e cada capítulo fecha com um quiz de dez perguntas. É ali que o conteúdo assenta.
E conte que vai travar. Isso é normal e não significa nada sobre a sua capacidade. O capítulo 1 traz um protocolo de oito passos para esses momentos, e ele funciona.
Uma última palavra antes de começar
Aquela frase do começo, sobre não levar jeito com matemática, quase nunca é verdade.
Na esmagadora maioria dos casos, o problema não foi você. Foi o jeito como o assunto te foi apresentado: uma lista de regras para decorar, com uma prova no fim do mês e nenhuma explicação de para que servia. Você recebeu a resposta antes de conhecer a pergunta.
Este livro faz o caminho contrário, e ele começa falando justamente disso.
Vamos lá.