Claude Haiku 5.5: o que muda, preços e benchmarks

Claude Haiku 5.5: o que muda, preços e benchmarks

O Claude Haiku 5.5 é o novo modelo pequeno da Anthropic, lançado em outubro de 2026 para cargas de alto volume e sensíveis a custo. Ele chega mais barato, mais rápido e muito mais capaz do que o Haiku 4.5, e por isso muda a conta de quem roda subagentes, sumarização e classificação em produção.

Neste artigo, vamos analisar os números do anúncio oficial com calma. Além disso, você vai ver o que quebra na migração, como configurar o nível de esforço e em quais cenários faz sentido subir para o Sonnet 5.5 ou o Opus 5.5.

O que é o Claude Haiku 5.5

O Claude Haiku 5.5 é o modelo de entrada da família 5.5, ao lado do Sonnet 5.5 e do Opus 5.5. A Anthropic o descreve como o modelo pequeno mais barato, mais rápido e mais capaz que já lançou.

Na prática, o foco está em tarefas curtas e repetitivas. Resumos, compactação de contexto, consultas a banco de dados e classificação de requisições são exemplos citados no próprio anúncio.

Também existe um papel bem claro dentro de fluxos agênticos. O modelo funciona como subagente de um modelo maior, enquanto o Sonnet ou o Opus coordenam o trabalho principal.

Além disso, a velocidade abre espaço para casos sensíveis à latência. Atendimento ao cliente em tempo real e automação de navegador aparecem como usos naturais, porque cada segundo de espera pesa na experiência.

Vale um detalhe importante sobre a velocidade. Segundo a nota de rodapé do anúncio, ele é o modelo mais rápido da casa na velocidade padrão, mas fica atrás do Opus quando este roda no Fast Mode.

Desempenho do Claude Haiku 5.5 nos benchmarks

O salto em relação à geração anterior é grande. Em quase todas as avaliações publicadas, o Claude Haiku 5.5 multiplica o resultado do Haiku 4.5 e supera o GPT-6 Luna, que a Anthropic usou como comparação direta.

A tabela abaixo resume os principais números divulgados, com o Sonnet 5.5 como referência.

Benchmark Haiku 5.5 Haiku 4.5 GPT-6 Luna Sonnet 5.5
GDPval-AA v2.1 1620 735 1437 1840
AA-Briefcase v1.1 1578 614 1336 1824
OSWorld 2.1 (offline) 72,4% 15,7% 48,9% 83,9%
Humanity's Last Exam (sem ferramentas) 45,9% 10,2% n/d 56,9%
Humanity's Last Exam (com ferramentas) 57,4% 18,7% n/d 64,5%
Terminal-Bench 4.0 39,2% 0,0% 16,4% 70,6%
FrontierCode 1.1 46,4% n/d 42,4% 52,1%
Chartography (sem ferramentas) 46,4% 6,4% 29,1% 61,6%

Trabalho do conhecimento e uso do computador

O GDPval-AA avalia agentes em trabalho profissional real, distribuído em 44 ocupações. Nesse teste, o novo modelo sai de 735 para 1620 pontos, ou seja, mais que dobra a nota da versão anterior.

O OSWorld 2.1 mede a capacidade de operar um computador real em tarefas longas e com várias etapas. Aqui o ganho é ainda mais expressivo, porque o resultado vai de 15,7% para 72,4%.

Esse número explica por que a Anthropic posiciona o modelo para automação de navegador. Com isso, tarefas que antes exigiam o Sonnet passam a caber em um orçamento bem menor.

Programação agêntica e seus limites

No Terminal-Bench 4.0, o Haiku 4.5 marcava zero, enquanto a nova versão chega a 39,2%. Mesmo assim, o Sonnet 5.5 alcança 70,6% no mesmo teste, uma diferença que não dá para ignorar.

A própria Anthropic reforça esse limite no anúncio. Para programação agêntica complexa, o Sonnet e o Opus continuam sendo as escolhas certas.

Por outro lado, o FrontierCode 1.1 mostra uma distância menor, com 46,4% contra 52,1% do Sonnet. Portanto, em tarefas de código mais delimitadas, o modelo menor já entrega um resultado competitivo.

Ajuste de esforço no Claude Haiku 5.5

Esta é a primeira vez que um modelo da linha Haiku vem com ajuste de esforço. Assim, você decide em cada requisição se quer otimizar custo ou inteligência, da mesma forma que já acontecia com Sonnet e Opus.

Os gráficos do anúncio mostram cinco níveis: low, medium, high, xhigh e max. Quanto maior o nível, mais o modelo pensa antes de responder e mais tokens ele consome.

No OSWorld 2.1, por exemplo, o Claude Haiku 5.5 vai de 42,0% no nível low, com custo de US$ 0,07 por tentativa, até 72,4% no nível max, a US$ 0,61. Em outras palavras, o nível mais alto custa cerca de nove vezes mais para ganhar 30 pontos percentuais.

Para comparar, o Sonnet 5.5 no nível low marca 57,9% a US$ 0,68 por tentativa. Então o Haiku no nível high já supera esse resultado, com 61,3%, gastando apenas US$ 0,18.

Esse tipo de curva muda a forma de pensar a escolha do modelo. Em vez de perguntar qual modelo usar, você passa a perguntar qual combinação de modelo e esforço resolve a tarefa pelo menor preço.

Na API, o nível fica no campo output_config.effort. Além disso, o pensamento adaptativo vem ligado por padrão, de modo que o modelo pode pensar menos ou nem pensar em pedidos simples quando o esforço está baixo.

Preços do Claude Haiku 5.5 na API

A tabela de preços tem uma novidade estrutural. O valor depende do tamanho do prompt, com uma faixa até 100 mil tokens e outra acima disso.

Preço por 1 milhão de tokens Haiku 5.5 (até 100k) Haiku 5.5 (acima de 100k) Haiku 4.5 Sonnet 5.5
Leitura de cache US$ 0,01 US$ 0,05 US$ 0,10 US$ 0,10
Escrita de cache US$ 0,125 US$ 0,625 US$ 1,25 US$ 2,50
Entrada US$ 0,10 US$ 0,50 US$ 1,00 US$ 2,00
Saída US$ 0,50 US$ 2,50 US$ 5,00 US$ 10,00

Na faixa até 100 mil tokens, o Claude Haiku 5.5 custa um décimo do Haiku 4.5 em todas as linhas. Acima desse limite, o desconto cai para 50%.

Segundo a Anthropic, cerca de 90% das requisições ao Haiku anterior ficavam na faixa menor. Por isso, a maioria das cargas reais deve se beneficiar do preço mais agressivo.

Por que a economia média fica perto de 75%

Se o preço caiu 90%, a economia média anunciada de 75% pode parecer estranha. A diferença vem do novo tokenizador, igual ao usado pelo Sonnet 5.5 e pelo Opus 5.5.

De acordo com o guia de migração, o mesmo texto gera aproximadamente 30% mais tokens no Claude Haiku 5.5. Ou seja, parte do desconto volta na forma de mais tokens por tarefa.

Na prática, isso significa recalcular estimativas de custo com contagens novas. Também vale revisar limites de max_tokens calibrados para o Haiku 4.5, porque o mesmo limite agora comporta menos texto.

Se você quer entender melhor como o cache influencia a fatura, vale ler o artigo sobre por que o Opus 5.5 custa menos no Claude Code. A lógica de proteger o cache vale também para o modelo menor.

O que os primeiros clientes relataram

O anúncio traz depoimentos de seis empresas que testaram o Claude Haiku 5.5 antes do lançamento. Os relatos ajudam a entender onde ele se encaixa no dia a dia.

A Asana, por exemplo, testou o modelo no produto de agentes e mediu mais de 30% de redução na latência para concluir tarefas. Além disso, a inferência por turno do agente ficou até 2,5 vezes mais rápida.

A HubSpot avaliou tarefas de CRM em portais simulados e obteve 92,8% de média em três execuções. Segundo a empresa, foi a melhor nota já registrada nesse conjunto de testes entre modelos menores.

Já a AlphaSense, que roda cerca de 8 milhões de chamadas por semana em um recurso de perguntas sobre documentos, comparou as duas gerações. Em 400 consultas, o Claude Haiku 5.5 marcou 0,84 contra 0,76 do Haiku 4.5, uma melhora estatisticamente significativa.

A Box relatou 11 pontos a mais que o Haiku 4.5 com cerca de metade da latência. Enquanto isso, a Rogo descreveu um padrão interessante: um modelo maior monta a apresentação e o Haiku busca dados pontuais em relatórios financeiros.

Por fim, a Cognition incluiu o Claude Haiku 5.5 como assistente no Devin Fusion, com o Opus 5.5 na liderança. Com essa combinação, o sistema manteve 66,2 pontos no FrontierCode e reduziu custo e latência.

Como migrar para o Claude Haiku 5.5

A troca não se resume a mudar o nome do modelo. O guia de migração oficial lista uma série de mudanças que retornam erro 400 se você ignorar.

O primeiro passo para adotar o Claude Haiku 5.5 é atualizar o identificador. Na API da Claude, no Google Cloud e no Microsoft Foundry, o ID passa a ser claude-haiku-5-5, enquanto no Amazon Bedrock fica anthropic.claude-haiku-5-5.

Esse ID é fixo, sem sufixo de data e sem alias separado. Portanto, não existe mais a dupla entre versão datada e apelido que havia no Haiku 4.5.

Mudanças que quebram requisições

A configuração de pensamento mudou no Claude Haiku 5.5. O formato antigo com budget_tokens deixa de funcionar, e o modelo agora usa pensamento adaptativo controlado pelo nível de esforço.

Os parâmetros de amostragem também saem de cena. Assim, temperature, top_p e top_k precisam sair das requisições, e o comportamento passa a ser guiado pelo prompt.

O prefill do assistente também deixa de ser aceito. Quando você terminava messages com um turno do assistente para forçar um formato, agora precisa usar saídas estruturadas ou terminar com um turno do usuário.

Outra mudança afeta quem lê o primeiro bloco da resposta como sendo o texto final. Como a resposta pode começar com blocos de pensamento, o correto é filtrar os blocos pelo campo type.

Para quem usa uso de computador, a ferramenta computer_20250124 dá lugar ao conjunto computer_toolset_20260801. Além disso, o modelo novo suporta a ferramenta de uso de navegador, algo que o Haiku 4.5 não oferecia.

Por fim, o Claude Haiku 5.5 pode recusar pedidos por meio de classificadores de segurança. Então o seu código precisa tratar o stop_reason com valor refusal, porque não existe fallback no servidor.

Exemplo de chamada em C#

O exemplo abaixo mostra uma chamada mínima à Messages API com HttpClient, já no formato aceito pelo modelo novo. Nele, o nível de esforço fica em low, adequado para classificação de tickets.

using System.Net.Http.Json;
using System.Text.Json;

var apiKey = Environment.GetEnvironmentVariable("ANTHROPIC_API_KEY")
    ?? throw new InvalidOperationException("ANTHROPIC_API_KEY is not set.");

using var http = new HttpClient { BaseAddress = new Uri("https://api.anthropic.com/") };
http.DefaultRequestHeaders.Add("x-api-key", apiKey);
http.DefaultRequestHeaders.Add("anthropic-version", "2023-06-01");

var request = new
{
    model = "claude-haiku-5-5",
    max_tokens = 1024,
    // Pensamento adaptativo: o esforço controla quanto o modelo pensa
    thinking = new { type = "adaptive" },
    output_config = new { effort = "low" },
    // Sem temperature, top_p, top_k e sem prefill do assistente
    messages = new[]
    {
        new
        {
            role = "user",
            content = "Classify this ticket as Billing, Bug or Question: 'I was charged twice this month.'"
        }
    }
};

var response = await http.PostAsJsonAsync("v1/messages", request);
response.EnsureSuccessStatusCode();

using var json = JsonDocument.Parse(await response.Content.ReadAsStringAsync());
var root = json.RootElement;

// Trata recusas dos classificadores de segurança
if (root.GetProperty("stop_reason").GetString() == "refusal")
{
    Console.WriteLine("Request was refused by the model.");
    return;
}

// Seleciona os blocos pelo tipo, nunca pela posição
var answer = root.GetProperty("content")
    .EnumerateArray()
    .Where(block => block.GetProperty("type").GetString() == "text")
    .Select(block => block.GetProperty("text").GetString())
    .FirstOrDefault();

Console.WriteLine(answer);

Repare que o código seleciona o bloco de texto pelo tipo, porque a resposta pode trazer blocos de pensamento antes dele. Da mesma forma, a verificação de refusal evita tratar uma recusa como resposta válida.

Se o projeto usa o Claude Code, o caminho fica ainda mais curto. O comando /claude-api migrate aplica a troca de ID e as mudanças de parâmetros, e depois gera uma lista de itens para conferir manualmente.

Segurança e salvaguardas do Claude Haiku 5.5

No alinhamento, a Anthropic relata melhorias em quase todas as avaliações em relação ao Haiku 4.5. Em especial, o modelo apresentou bem menos comportamentos desalinhados e menor disposição para colaborar com uso indevido.

Em cibersegurança, as salvaguardas do Claude Haiku 5.5 ficaram mais restritivas que as do Haiku 4.5. Por outro lado, elas permitem uma faixa maior de tarefas defensivas do que as do Sonnet 5.5, embora ainda bloqueiem testes de invasão e técnicas típicas de atacantes.

Em biologia, as regras seguem as mesmas do Sonnet 5, do Sonnet 5.5 e do Opus 5. Organizações com necessidades mais amplas nessas áreas podem se candidatar aos programas de verificação da Anthropic.

Os detalhes completos estão no system card do modelo. Para quem trabalha com ambientes regulados, vale ler o documento antes de colocar o modelo em produção.

Outras novidades do anúncio

O lançamento veio acompanhado de três mudanças que afetam toda a linha de modelos. A primeira é a queda de 50% no preço de leitura de cache do Sonnet 5.5, que passa de US$ 0,20 para US$ 0,10 por milhão de tokens.

Como a leitura de cache representa grande parte do consumo em tarefas agênticas, o custo do Sonnet nesses cenários cai cerca de 20%. No Terminal-Bench 4.0, por exemplo, uma tentativa no nível max sai de US$ 14,15 para US$ 10,44.

A segunda novidade é um crédito mensal de API para assinantes Max e Team. Assinantes Max 5x recebem US$ 100, assinantes Max 20x recebem US$ 200 e equipes Team recebem até US$ 500 compartilhados entre os usuários.

Esse crédito vale para qualquer modelo na Claude Platform, incluindo o Claude Haiku 5.5. Se você ainda está escolhendo uma assinatura, o comparativo dos planos do Claude em 2026 ajuda a entender o que cada plano entrega.

A terceira novidade fica nos SDKs de Python e TypeScript. Eles ganharam suporte em beta para uso de computador e uso de navegador, justamente as áreas em que o Claude Haiku 5.5 mais evoluiu.

Quando usar o Claude Haiku 5.5 e quando subir para o Sonnet

A regra geral é olhar para o escopo da tarefa. Quanto mais delimitada ela for, maior a chance de o Claude Haiku 5.5 resolver com qualidade e custo baixo.

Classificação, extração de dados, sumarização e compactação de contexto são candidatos naturais. Da mesma forma, subagentes que buscam uma informação pontual e devolvem o resultado para um modelo maior se encaixam muito bem.

Automação de navegador e atendimento em tempo real também entram nessa lista. Nesses casos, a combinação de velocidade e preço pesa tanto quanto a qualidade da resposta.

Por outro lado, tarefas longas de programação agêntica continuam pedindo o Sonnet 5.5 ou o Opus 5.5. A diferença de 31 pontos no Terminal-Bench 4.0 mostra bem esse limite.

Uma arquitetura que combina os dois tende a ser o melhor caminho. Nesse modelo, o Opus ou o Sonnet planeja e coordena, enquanto vários subagentes Haiku executam as partes repetitivas em paralelo.

Antes de decidir, porém, faça um teste com os seus próprios dados. Rode a mesma amostra de tarefas em níveis de esforço diferentes e compare qualidade, latência e custo por tarefa concluída.

Conclusão

O Claude Haiku 5.5 muda o patamar do que um modelo pequeno consegue fazer. Com preço até 90% menor que o do Haiku 4.5 e resultados próximos aos do Sonnet em várias avaliações, ele torna viáveis cargas que antes não cabiam no orçamento.

Mesmo assim, a migração exige atenção. Pensamento adaptativo, remoção dos parâmetros de amostragem, fim do prefill e o novo tokenizador afetam o código e as estimativas de custo.

Na prática, o ganho maior aparece quando você combina modelos. Com o Claude Haiku 5.5 nos subagentes e um modelo maior na coordenação, dá para entregar mais qualidade gastando menos por tarefa.

FAQ

O Claude Haiku 5.5 substitui o Sonnet 5.5?

Não. Ele cobre bem tarefas delimitadas e de alto volume, mas o Sonnet 5.5 continua bem à frente em programação agêntica complexa.

Qual é o ID do Claude Haiku 5.5 na API?

Na API da Claude, o ID é claude-haiku-5-5, sem sufixo de data. No Amazon Bedrock, o ID é anthropic.claude-haiku-5-5.

Posso continuar usando temperature com o modelo novo?

Não da forma antiga. Valores diferentes do padrão retornam erro 400, então o ideal é remover o parâmetro e guiar o comportamento pelo prompt.

Por que minha contagem de tokens aumentou?

O modelo usa um tokenizador novo, que gera cerca de 30% mais tokens para o mesmo texto. Por isso, revise limites de saída e estimativas de custo.

Quais níveis de esforço estão disponíveis?

O anúncio mostra cinco níveis: low, medium, high, xhigh e max. Níveis mais altos aumentam a qualidade e também o custo por tarefa.

Glossário

Termo Significado
Subagente Modelo que executa uma parte específica de uma tarefa a pedido de um modelo coordenador.
Compactação Técnica que resume o histórico de uma conversa longa para caber na janela de contexto.
Esforço Configuração que define quanto o modelo pensa antes de responder, equilibrando custo e qualidade.
Pensamento adaptativo Modo em que o próprio modelo decide quanto raciocinar conforme a dificuldade do pedido.
Tokenizador Componente que divide o texto em tokens, a unidade usada para cobrança e limites.
Leitura de cache Reaproveitamento de um prefixo de prompt já processado, cobrado a um preço menor.
Prefill Turno final do assistente enviado na requisição para que o modelo continue a partir dele.
Benchmark Conjunto padronizado de testes usado para comparar o desempenho de modelos.

Fontes